Sr. Arcano
O poeta de uma sociedade decadente
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Dan Brown - O escritor das tragédias

Dan Brown é um famoso escritor que, no início de 2004, teve todos os seus quatro livros ("Anjos e Demônios", "O Código Da Vinci", "Fortaleza Digital", "Deception Point"), ao mesmo tempo na lista dos mais vendidos do New York Times.
 
Casado com a pintora e historiadora de arte Blythe, que colabora para as pesquisas de seus livros. Reside em New England, nos Estados Unidos.
 
Falarei apenas de seus dois livros mais interessantes, e que possuem um elo de ligação, tendo como personagem principal o professor de simbologia Robert Langdon. Esses dois livros são Anjos e Demônios e O Código Da Vinci.
 

Sobre Anjos e Demônios, é um livro de ação com vários enigmas a serem decifrados pelo herói da história, o professor Robert Langdon. O livro prende a atenção do leitor do início ao fim. Muito bem escrito, num roteiro típico já muito usado entre autores contemporâneos: o jogo de imagens predomina, como se fosse uma história pronta para roteiros de cinema. Às vezes me pergunto se isso é feito intencionalmente, como se o autor quisesse que seu livro virasse filme futuramente. E para facilitar, a história não é tão difícil assim de virar filme, já que o autor não usa artifícios sobrenaturais nesse livro. O fato é que a história é realmente muito interessante e cheia de ação e suspense.
 
Encontramos nesse livro os chamados ambigramas, símbolos que são legíveis de ambos os lados, como as suásticas, o ying-yang, as estrelas de Davi, etc. Mas aqui são palavras. Isso mesmo, palavras que podem ser lidas de ambos os lados, no mesmo formato, virando-as a 180°. Interessantíssimo!
 
Anjos e Demônios conta a história de uma antiga seita satânica que, às vésperas da grande cerimônia do Vaticano para eleger um novo Papa, planeja destruir o Vaticano e a Igreja Católica. E Robert Langdon, mestre em Simbologia, é chamado para decifrar enigmas antigos, como única forma de salvar a Igreja. No desenrolar da aventura de Langdon, segredos antigos vem à tona, e o Vaticano vira ponto de terrorismo e surpresas que fazem da Igreja a principal responsável pelo ressurgimento dos Illuminati, que é como se chama a fraternidade satânica adversária da Igreja.
 
O ponto mais interessante de Anjos e Demônios é que Dan Brown usa fatos reais para sua ficção. Ou seja, os Illuminati realmente existiram, e de acordo com a ficção do autor, uns de seus membros eram Galileu Galilei, Rafael Santi, Bernini e alguns membros da maçonaria. Os Illuminati lutavam contra a censura da religião, que em épocas passadas queimou livros de cientistas e os manteve presos ou condenados à morte, como forma de fazer prevalecer a opinião da Igreja. A comparação com uma seita satânica vem do termo satanás, que de acordo com a simbologia literária, quer dizer "aquele que é o portador da luz", ou seja, a luz do conhecimento. Daí o termo "Illuminati" (os esclarecidos), que também é o nome de um jogo para computador, cuja história se baseia numa antiga fraternidade satânica da Bavária que pretende dominar o mundo. Além disso, toda a simbologia dos Illuminati, de acordo com a história do livro, são encontradas resumidas em obras e monumentos que ainda podem ser vistos hoje, como as obras de arte, a arquitetura, os túneis e as tumbas de Roma. Dan Brown fornece suas localizações exatas.
 
Outro fato real é sobre uma conquista da ciência, que no livro Anjos e Demônios é usada como arma contra o Vaticano: a antimatéria.
 
Elemento composto por partículas cujas descargas elétricas são inversas àquelas encontradas na matéria normal. Somente uma gota seria o suficiente para abastecer a cidade de Nova York de energia por um dia inteiro. Um único grama de antimatéria contém energia igual à de uma bomba nuclear de 20 quilotons - o tamanho da bomba que caiu sobre Hiroshima. Lembrando que a antimatéria não é uma ficção, Dan Brown nos remete a uma questão: "será que essa substância tão volátil vai salvar o mundo ou será usada para gerar a mais mortífera arma de todos os tempos?".
 
É uma questão dualistamente realista, já que nós mesmos somos os responsáveis por nossos Anjos e Demônios.
 

Depois de uma cansativa aventura no Vaticano, Robert Langdon vê-se cercado de misteriosas charadas no museu do Louvre em O Código Da Vinci. Diferente de Anjos e Demônios, este livro não apresenta tanta ação quanto o primeiro. A leitura prende a atenção, mas diverte pouco. Aqui, o professor de Simbologia Robert Langdon tenta decifrar os mistérios do assassinato do curador do museu do Louvre, que na verdade possui ligações com uma sociedade secreta chamada Priorado de Sião. Novamente, o autor Dan Brown baseia-se em fatos reais, pois o Priorado de Sião foi fundado em 1099, e de acordo com pergaminhos descobertos pela Biblioteca Nacional de Paris, conhecidos como Os Dossiês Secretos, essa sociedade secreta tinha entre seus membros personalidades como Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Leonardo da Vinci. Langdon é ajudado pela criptógrafa francesa Sophie Neveu, que decifra códigos importantes no decorrer da aventura. Mas o seu conhecimento em simbologia parece mais acentuado nesta aventura do que em Anjos e Demônios. Na verdade, o livro baseia-se todo no simbolismo do Santo Graal e seus vínculos com o culto matriarcal, em que o Priorado de Sião está completamente envolvido.
 
Misturando ficção e realidade, Dan Brown descreve elementos reais, como obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos. Sendo que, como elemento mais atual, o livro apresenta algumas informações sobre a Opus Dei, uma organização católica tão conservadora, que já houve relatos intrigantes envolvendo essa prelazia do Vaticano, como por exemplo lavagem cerebral, coerção e uma prática perigosa conhecida como "mortificação corporal". A Opus Dei, pouco tempo atrás, completou a construção de uma Sede Nacional em Nova York, ao custo de aproximadamente 47 milhões de dólares.
 
O que mais impressiona neste livro são as referências ao culto matriarcal, que envolve a iconografia da deusa e a simbologia do Sagrado Feminino. O culto matriarcal, segundo o livro, estaria representado categoricamente nos quadros de Leonardo da Vinci, em que aparecem, entre vários símbolos altamente sugestivos, imagens de Maria Madalena, a suposta esposa de Jesus Cristo... (?!) Absurdo? - nada é absurdo numa obra de ficção. O livro O Código Da Vinci nos faz pensar sobre questões antes levantadas por Margaret Starbird, em seu livro "A Mulher do vaso de Alabastro: Maria Madalena e o Santo Graal", além de outros livros como "A grande heresia: O Segredo da Identidade de Cristo"; "A Deusa nos evangelhos: O Resgate do Sagrado Feminino"; "O Santo Graal e a Linhagem Sagrada". Todos esses livros podem ser considerados intrigantes, ou até mesmo polêmicos para os leigos. Muitos autores preferem evitar escrever livros assim tão didaticamente históricos ou científicos, pois dessa forma não correm o risco de serem censurados ou perseguidos pela crítica religiosa ou conservadora. Por isso, muitos camuflam seus livros em gêneros, como por exemplo a ficção científica. Há quem considere, por exemplo, Arthur C. Clarke um grande filósofo. Mas não estou afirmando que o mesmo acontece em O Código Da Vinci ou Anjos e Demônios, o fato é que Dan Brown usou elementos de estudos de outros livros e fontes históricas para criar suas ficções.
 
Se questões como essa fossem, através de sérios estudos, como já vem sendo feito há muito tempo, proclamadas como verdades, seria uma verdadeira tragédia para a religião católica e para a própria Bíblia sagrada, que não mencionam explicitamente o casamento de Cristo. Mas, como o próprio livro argumenta numa conversa entre o professor Robert Langdon e a criptógrafa Sophie Neveu, cada fé ou crença necessita de uma base, mesmo que seja falsa, pois o que importa é um símbolo para dar força à capacidade e sentimento de realização do ser humano.
 
Como pode-se perceber, Dan Brown é um autor de tragédias. No caso de Anjos e Demônios essas tragédias são apocalípticas. Talvez isso explique o fato de que milhões de seus livros são vendidos em todo o mundo, pois como o próprio Dan Brown diz: "Nada desperta mais o interesse humano do que a tragédia".

Sr Arcano
Enviado por Sr Arcano em 10/09/2012
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