Sr. Arcano
O poeta de uma sociedade decadente
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Serial Killer influenciado por Edgar Allan Poe


A ideia é devastadora. Funcionaria de forma perfeita e magistral para um romance que, inevitavelmente estaria destinado a se tornar um bestseller.
 
Estaria, se o autor levasse sua proposta mais a fundo. Porém, O Poeta, de Michael Connelly, não deixa de ser um livro interessante.
 
Com prefácio de Stephen King, o romance traz todo o cenário de um gênero policial envolvendo assassinatos terríveis, e um ambiente comum no dia a dia dos jornais: cenas inspiradas em nossa realidade violenta, mas aqui com os requintes de crueldade de um assassino em série.
 
Também não é à toa que o autor consegue narrar de forma perfeita seu principal personagem: o repórter policial Jack McEvoy. Afinal, Michael Connelly é diplomado em jornalismo pela Universidade da Flórida, e foi repórter do Los Angeles Times.
 
Não é por acaso que logo na capa do livro vemos uma frase do próprio Los Angeles Times, que diz: “Connelly pisa no acelerador e se recusa a frear”.De fato, é isso o que acontece. O autor consegue prender a atenção, seu livro desperta curiosidade e um simples acontecimento ganha grandes proporções, mas o que ele faz é apenas um bom tempero. Falta o prato principal.
 
O livro narra a aventura do repórter policial Jack McEvoy atrás de respostas para o assassinato de seu irmão, o detetive Sean McEvoy. Um mistério que faz o repórter escrever uma matéria investigativa sobre o assunto, levando-o a um serial killer, cujo alvo são investigadores da polícia atormentados por casos que nunca conseguiram resolver. Na cena do crime, as únicas pistas encontradas são citações da obra de Edgar Allan Poe, e o assassino passa a ser conhecido como O Poeta.
 
Agora, unindo forças com o FBI, Jack tentará desmascarar o criminoso e descobrir os motivos que o levaram a matar sua última vítima – Sean McEvoy, e os detetives anteriores, também vítimas do terrível assassino.
 
Porém, o grande problema do livro é esse. O autor nos apresenta um perfil de um assassino pouco interessante, até mesmo banal, que levará Jack ao encontro do verdadeiro assassino. Mas o romance termina sem respostas, o verdadeiro assassino não é decifrado, apesar de ser desmascarado. E os motivos que o levaram a usar os poemas de Poe em seus assassinatos também não são explicados. O autor, através de uma de suas personagens, a agente do FBI Rachel Walling, sugere que há coisas nesse mundo que jamais descobriremos, e essa é uma delas. Como podemos ver nesse trecho: “Essas pessoa que a gente caça... Às vezes não tem explicação. Essa é sem dúvida a parte mais difícil, descobrir a motivação, entender o que faz com que eles ajam dessa forma. A gente costuma dizer que essas pessoas vieram da lua. Às vezes é a única maneira de descrevê-las. Tentar entendê-las é como consertar um espelho estraçalhado. Não dá para explicar o comportamento de algumas pessoas, então a gente diz que elas não são humanas. Que vieram da lua. E, na lua do Poeta, os instintos dele são normais, são naturais. Ele está seguindo os instintos, criando situações que o satisfazem. O nosso trabalho é achar a lua do Poeta para mandá-lo de volta.”.
 
Ou ainda, nesta outra fala sua, já no fim do livro: “Nesses casos, tudo o que sabemos é que há uma semente dentro da pessoa. Uma semente que cresce como um câncer. Aí a pessoa começa a pôr suas fantasias em prática”.
 
Mas o fato é que Michael Connelly jamais seria capaz de se aprofundar no assunto dando um foco maior na experiência de repórter policial, tanto de seu personagem quanto de sua nítida influência profissional passada para o romance.
 
São interessantes as descrições dos métodos psicológicos do FBI para decifrar um assassino, mas o autor ainda assim descreve tudo de forma muito superficial.
 
Acredito que, pensando como repórter, o autor não poderia se aprofundar na natureza de seu assassino. Tanto é que não consegue ser capaz de traçar seu perfil psicológico, assim como explorar seus métodos violentos e cruéis. Fugindo de seu próprio assassino o tempo inteiro, refugiando-se no caso de amor criado entre Jack e a agente Rachel (que em certa parte do livro já fica até entediante), e principalmente na caçada a um assassino pedófilo, que é assunto marcante em praticamente todo o romance. Deixando o verdadeiro assassino, O Poeta, não apenas em segundo plano, mas completamente fora do contexto.
 
Eu diria que faltou ao autor, já que ele já foi repórter, entrevistar alguns assassinos de verdade, e estudar mais a fundo a vida e obra de Edgar Allan Poe, para que sua obra não ficasse assim tão vazia e sem respostas.
 
O que vemos, na verdade, é um romance muito bem escrito, que prende a atenção, sem dúvida. Mas o teor da obra parece muito jornalístico, como se fosse mais uma dessas manchetes violentas para vender na mídia, onde o foco principal são os assassinatos mais estúpidos que conhecemos, envolvendo pedofilia e corpos mutilados. Deixando de lado um assunto profundo que poderia render um ótimo romance.
 
Porém, o autor é excelente na descrição de personagens. São dezenas! E Connelly consegue com maestria traçar uma seqüência de normas de lógica em sua narrativa, não se perdendo em suas descrições complexas de acontecimentos, datas e horários.
 
Outros fatores interessantes no livro são as conclusões que o personagem principal, o próprio Jack McEvoy, vai formulando ao longo de sua narrativa (o romance é quase todo em primeira pessoa). Como se ele estivesse aprendendo a cada passo dado, algo novo em relação aos fatos. Uma passagem interessante que exemplifica isso é esta observação de Jack a respeito dos agentes do FBI: “Por mais empolgados que os agentes estivessem com a operação do dia seguinte, ou até mesmo com a possível conclusão do caso, foram dominados pela melancolia. A melancolia de saber dos horrores do mundo. Aquele era apenas um caso. Haveria outros. Sempre.”.
 
O autor Michael Connelly nasceu a 21 de Julho de 1956, nos Estados Unidos. Deixou de lado sua carreira jornalística para se dedicar à literatura e obteve reconhecimento mundial com sua série de thrillers estrelados pelo detetive Harry Bosch, e outros bestsellers aclamados pela crítica.
Sr Arcano
Enviado por Sr Arcano em 11/09/2012
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