Sr. Arcano
O poeta de uma sociedade decadente
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Sobre o Poeta do Mar


Já tive o privilégio de ouvir muitos de seus poemas recitados, e a emoção da sua mensagem é sempre um grito interno. Não um grito estridente, mas sim tão suave como o mar.
 
Ela grita com o coração, como se um náufrago – bem distante – pedisse por ajuda. À espera de um navio que a salve, Andreia Santos é a poesia que aguarda um resgate.
 
Tem-se a impressão que não há mais vida para a poetisa – ela está morta, e o que aguarda por salvação é o seu espírito no mar. Um espírito que se confunde com o do próprio mar. Tão distante e tão imenso quanto a sua poesia!
 
Ouvi seu grito porque também sou poeta, e nós poetas sabemos que a poesia não suporta ficar presa, ela precisa respirar o ar da liberdade. E esse ar tem tantos significados...
 
Seu livreto foi um presente, e veio com um autógrafo bastante significativo.
 
Sou a favor de passar livros adiante, como forma de incentivar a leitura, mas não tenho coragem de presentear alguém com um livro que o autor me deu autografado. E esse livreto ganhou um lugar especial em minha estante. Uma pequena publicação com apenas dez poemas.
 
Dedicado aos amigos que Andreia conheceu fora do Brasil, em especial a Inglaterra, esse livreto é a primeira publicação da autora, apesar dela já ter uma bagagem literária bastante ampla.
 
O mar é o que a separa da terra que ela considera seu lar, mas também é o que a une ao horizonte inglês, através de suas contemplações poéticas. O próprio livro começa com as frases de seus amigos ingleses. Uma delas, diz: “Você escreve com paixão, do fundo do seu coração. Você tem um grande coração... do tamanho do oceano”.
 
E se o coração de Andreia é tão grande, este a leva para vários lugares através de sua poesia, sendo a Inglaterra apenas mais um ponto de ancoragem, distante e querido.
 
No poema “A poesia dentro de mim” ela destaca bem isso:
 
“E a partir deste momento...
eu não sei o que vai acontecer,
onde eu vou ficar,
mas muitos lugares me chamam”
 
Há pessoas que não entendem o costume de um poeta em ficar, por longos momentos, contemplando uma paisagem, uma pintura ou fotografia. Até mesmo uma pessoa desconhecida pode ser objeto de contemplação. Mas o mar talvez seja o que mais atrai os poetas.
 
Eu, por exemplo, faltaria o emprego somente para ficar o dia inteiro contemplando o mar (aliás, já fiz isso). Coisa de poeta? Atualmente, talvez o que falte na vida das pessoas seja justamente um pouco mais de poesia.
 
Andreia nos dá uma lição, dizendo que o difícil, o inalcançável, faz parte da navegação rumo ao objetivo de nosso coração.
 
Para ela, aqueles que estão “perdidos no mar” não conseguem alcançar seus objetivos porque...
 
“É mais fácil não acreditar
Grandes tempestades do mar
Ventos que causam medo, frio
E insegurança
É mais fácil acreditar que é o fim
O mar é sempre imprevisível
 
E ela tem medo dessa descrença, porque é enorme, está em toda parte, e pode levá-la também à perdição com suas ondas.
 
O navio que Andreia tanto procura para navegar é livre, e ela o deseja como seu abrigo. Uma poetisa de Curitiba que não ama tanto assim sua terra natal, por acreditar que fora dela, talvez, algum dia irá amá-la.
 
Sua alegria está na despedida (que não é necessariamente um adeus), porque o que a espera é a liberdade com seu ar puro, com cheiro de mar. Uma viajante por natureza, na vida e na poesia.
 
Permitindo-se ouvir a voz do Poeta do Mar dentro dela, gritando, rasgando sua alma noite após noite, ela encontra, entre quatro paredes e próxima à sua máquina de datilografia, seu mar, seu amar, e seu amor.

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Livreto: O Poeta do Mar
Autora: Andreia Santos
Páginas: 32
Editora: Independente
Formato: Livro de bolso
Ano: 2016
ISBN: 978-85-921657-0-3
Sr Arcano
Enviado por Sr Arcano em 20/02/2017
Alterado em 20/02/2017
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